rua-20de-setembro

 

Foi durante a 3ª invasão que os franceses atravessaram a Beira Alta.

De acordo com algumas cartas encontradas entre os generais encarregues de organizar a defesa contra os invasores, podemos retirar algumas informações relacionadas com a passagem das tropas de Massena pela nossa região. Numa delas, Wellington pedia a Beresford que enviasse Trant para Moimenta em virtude da notícia de que Massena estava em Pinhel e, no dia seguinte, em Trancoso, suspeitando-se que a rota do corpo principal dos franceses passaria por Viseu. Trant, efetivamente para aí se deslocou com os seus três mil milicianos, com os olhos postos na defesa dos desfiladeiros do Tedo, entre Moimenta da Beira e a Régua. Em 17 de Setembro de 1810, Wellington escrevia para o Marechal Beresford informando-o de que a coluna francesa marchava sobre a sua esquerda, tendo passando por Fornos na manhã do dia anterior e, portanto, mal tendo tido tempo para chegar a Mangualde na noite transata. Informava ainda que os gauleses não poderiam ter canhões consigo e que um prisioneiro afirmara que se dirigiam para o Porto, concluindo-se assim que iriam para Moimenta, da parte baixa do Côa. Recorde-se que, Vilar de Fonte Arcada pertencia à região chamada de Entre Távora e Côa. Contudo, desconfiado da intenção de marcharem para o Porto, como asseverava o prisioneiro, aconselha a evacuação de Coimbra. Porém, Sir Nicolau Trant manteve-se em Moimenta, de onde saiu apenas para atacar um comboio de trens francês, no Tojal, perto do Sátão.

Na passagem dos franceses a população das aldeias de concelho de Sátão, refugiavam-se pelos montes e serras do extenso vale do Dão. Por exemplo, em Vila Longa, o chamado Forninho da Gralheira, uma comprida galeria situada por baixo de um penedo alto e quase inacessível, serviu de abrigo e refúgio dos homens e seus bens pessoais e da igreja local, nomeadamente a Santa Custódia. Segundo testemunhos, esses bens aí foram guardados até todos poderem regressar a suas casas que tinham abandonado, em regime de terra queimada.

A passagem dos franceses pelo Sátão ficou registado na toponímia local, dando o nome a uma rua, “20 de setembro”.

 

 

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